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Visualização dos artigos pertencentes à categoria: Poemas de Vladimir Maiakóvski

20 Maio 2009 
Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zoo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.
20 Maio 2009 
Entraste.
A sério, olhaste
a estatura,
o bramido
e simplesmente adivinhaste:
uma criança.
Tomaste,
arrancaste-me o coração
e simplesmente foste com ele jogar
como uma menina com sua bola.
E todas,
como se vissem um milagre,
senhoras e senhorias exclamaram:
- A esse amá-lo?
Se se atira em cima,
derruba a gente!
Ela, com certeza, é domadora!
Por certo, saiu duma jaula!
E eu júbilo
esqueci o julgo.
Louco de alegria
saltava
como em casamento de índio,
tão leve, tão bem me sentia.
20 Maio 2009 
Duas horas em breve.
Estás deitada, talvez.
Na noite,
como um Oka de prata
a Via Láctea corre.
O tempo é meu, e os relâmpagos
que eram meus telegramas,
não mais te virão
despertar,
atormentar.
Como se diz: encerra-se o incidente.
A canoa do amor
foi-se quebrar de encontro ao quotidiano.

Eis-me quite contigo.
E é inútil o passar em revista
penas,
azares,
e recíprocas feridas.
Vê,
que paz no universo.
A noite
impôs ao céu
a servidão de tantas
tantas estrelas.
Chegou a hora
em que a gente se ergue e em que fala
aos séculos,
à História,
ao universo...
20 Maio 2009 
A brigada dos velhos repete sem cansar-se.
A cantilena é sempre igual:
Camarada
Para as barricadas!
E eu digo:
Barricadas da alma e do coração.
E eu digo:
Somente é comunista verdadeiro
quem destrói as pontes da retirada.
Basta de marchas futuristas
ou de saltos no futuro.
Construir um trem é pouco.
Se a canção rebelde não levanta os povos
de que serve a mudança de marcha?
Ajuntai os sons uns aos outros
e prossegui
cantando e assobiando
Há entretanto lindas letras
U
R
S
S
É pouco para fabricar um par de botinas
ou coser os galões às calças.
Os deputados não movimentarão os exércitos
se os músicos não abrirem a marcha.
.................
Basta de verdades baratas.
Arrancai o ranço do coração!
As ruas são nossos pincéis
e paletas as nossas praças.
No livro do tempo
ainda não foram cantadas
as mil páginas da revolução.
Para a rua, futuristas,
tambores e poetas!
20 Maio 2009 
Mais do que é permitido,
mais do que é preciso,
como um delírio de poeta
sobrecarregando o sonho:
a pelota do coração tornou-se enorme,
enorme o amor,
enorme o ódio.
Sob o fardo,
as pernas vão vacilantes.
Tu o sabes,
sou bem fornido,
entretanto me arrasto,
apêndice do coração,
vergando as espáduas gigantes.
Encho-me dum leite de versos
e, sem poder transbordas,
encho-me mais e mais.

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