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Visualização dos artigos pertencentes à categoria: Poemas de Fernando Pessoa

13 Maio 2009 
Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela
e oculta mão coloca alguém em mim.
Pus a alma no nexo de perdê-la
e o meu princípio floresceu sem fim.

Que importa o tédio que dentro em mim gela,
eo leve outono, e as galas, e o marfim,
e a congruência da alma que se vela
como os sonhados pálios de cetim?

Disperso... e a hora como um leque fecha-se...
minha alma é um arco tendo ao fundo o mar...
o tédio? a mágoa? a vida? o sonho?deixa-se...

e, abrindo as asas sobre renovar,
a erma sombra do vôo começado
pestaneja no campo abandonado...


13 Maio 2009 
Súbita mão de algum fantasma oculto
entre as dobras da noite e do meu sono
sacode-me e eu acordo, e no abandono
da noite não enxergo gesto ou vulto.

Mas um terror antigo, que insepulto
trago no coração, como de um trono
desce e se afirma meu senhor e dono
sem ordem, sem meneio e sem insulto.

E eu sinto a minha vida de repente
presa por uma corda de inconscient
a qualquer mão noturna que me guia.

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
de um vulto que não vejo e que me assombra,
e em nada existo como a treva fria.