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HOMENAGEM

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Traços

Visualização dos artigos pertencentes à categoria: Poemas de Augusto dos Anjos

20 Maio 2009 
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que nesta terra miserável,
mora entre feras, sente inevitável
necessidade de também ser fera

toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
a mãe que afaga é a mesma que apedreja

se a alguém causa inda pena a tua chaga,
apedreja essa mão vil que te afaga
escarra nessa boca que te beija.


20 Maio 2009 
Meu coração tem catedrais imensas,
templos de priscas e longínquas datas,
onde um nume de amor, em serenatas,
canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
vertem lustrais irradiações intensas
cintilações de lâmpadas suspensas
e as ametistas e os florões e as prstas.

Com os celhos templários medievais
entrei um dia nessas catedrais
e nesses templos claros e risonhos...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
no desespero dos iconoclastas
quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!